terça-feira, 20 de junho de 2017

Frio

Nesse frio, puxei um fio, e a poesia veio,
Tremendo e tecendo, não parei no meio;
E o novelo, com todo desvelo, acabando,
A lavra em palavras, enfim, terminando...

E a  peça, sem  pressa, foi  se formando...
Cores, tintas e dores,  assim  aquarelando,
O coração, então, aos poucos se alegrando;
Bordou pássaro, raro; e temporal passando.

Dando lugar ao arco-íris, e tua íris brilhante,
Refletia imagem, em friagem tão constante;
Agora é aquecida, esquecida  nesse instante,
Na poesia tecida, esculpida no frio congelante.

Meri Viero