terça-feira, 20 de junho de 2017

Sentidos

Ver além dos olhos, visualizar teu ser,
Olhar tempestade, e a calma no mar;
Corar quando a nudez, se manifestar,
Crer, esperar, mesmo sem entender...

Sorver cada palavra tua, tomar, beber,
Saborear a liquidez de tua alma, poetar;
Versar como se roubasse a calma, amar,
Embriagada de instantes; sóbria e calada.

Aspirar o perfume dos versos, se extasiar,
Contar cada letra desse universo, apontar;
Direção tão certa, por certo, o teu coração,
Derramar em tuas mãos poesia e perfumar.

Tocar displicentemente tua pele, e levitar,
Agraciada com  tua proteção, apaixonada;
Mente e coração, plantar a pura semente,
Deixar crescer o amor, florir, sem desleixar.

Ouvir a voz, que vento calminho, deixa vir,
Paz, é o sentimento  que vem, e que traz;
Arranjo para  harmonizar, canção de anjo,
Querubim, beija essa flor, cuida de mim...

Meri Viero

Frio

Nesse frio, puxei um fio, e a poesia veio,
Tremendo e tecendo, não parei no meio;
E o novelo, com todo desvelo, acabando,
A lavra em palavras, enfim, terminando...

E a  peça, sem  pressa, foi  se formando...
Cores, tintas e dores,  assim  aquarelando,
O coração, então, aos poucos se alegrando;
Bordou pássaro, raro; e temporal passando.

Dando lugar ao arco-íris, e tua íris brilhante,
Refletia imagem, em friagem tão constante;
Agora é aquecida, esquecida  nesse instante,
Na poesia tecida, esculpida no frio congelante.

Meri Viero

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Equilibristas

Gotículas se equilibram no fio
Vez ou outra, uma cai
A causa, é a garoa fininha e insistente
Os pássaros não parecem se importar
Com as asas molhadas
E voam...
Às vezes pousam nos galhos
Da velha árvore que vai se despindo
E pouco a pouco, o céu vai expondo
Os guachos estão irrequietos 
Mancham as nuvens de preto e vermelho
Parece que davam boas-vindas à chuva
Que agora cai com força
Ciumenta das gotinhas; deve ser isso...
Quiz fazer goteira, molhar a terra
Lavar o chão e a alma.

Meri Viero

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Guarapuava e o Vento

Vento veio varrendo Guarapuava
A XV e a Lagoa das Lágrimas
E por onde quer que passava
Derrubava laranjas e limas

Vento que chegou na noite escura
Fez bater forte as telhas, as tábuas
Chacoalhou árvores, gatos e figuras
Varreu tudo, as tristezas e mágoas

Vento que trouxe a chuva, apagou a luz
"Peço, inquieto menino, dorme logo..."
Pois em calmaria, a noite vem e conduz
Os sonhos, o sono, assim lhe rogo.

Meri Viero




quinta-feira, 1 de junho de 2017

Chá de Cidreira

A palavra que se quer, não chega,
Flor espera chuva, essa não rega;
Luz se deseja, e a escuridão cega,
Paz no coração; vem dor,  e nega...

E o frio congela; a palavra em neve,
Flocos  de bem-me-quer, se revele;
E deixe assim, tudo passar tão leve,
Fogo é belo, e a vela que sonho vele...

Indique caminhos  estreitos, largos,
Adoce  o paladar que anda amargo;
Maracujá, flor de  laranjeira, cidreira,
Chá para fazer dormir a noite inteira.

Meri Viero