quarta-feira, 24 de maio de 2017

Falsa Calmaria

E para não assustar, o coração desacelerou
As mãos sossegaram, o papel não foi escrito
O tempo, tão lento, tão rápido, veio e passou
Mas não sei se levou tudo aquilo que foi dito...

Para não assustar, adormeceu o olhar detalhista
Consumiu cada doce, que de amargor, fez a boca
E salivou os poemas não escritos naquela lista
Números inteiros de sentimentos que alma louca...

Secretamente para não assustar, guardou...
Dobrou papéis, amassou a espera angustiante
Organizou os sonhos, e a noite esperou
Numa calmaria falsa e embriagante.

Meri Viero