quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

A DOR DO AMOR

Embaralho-me, por entre as palavras tantas
Deixo-me navegar por um silêncio imposto
Como se assim, a poesia, que tanto encanta
De repente, sem o perceber, virasse  o rosto

Perco-me, na distância que abriga os versos
Aquarelados perfeitamente, por um coração
Que nesse momento apaga a luz do universo
E talvez, sem querer, o faz, com a inspiração

E nesse sentir que invade cada pedaço d'alma
Essas mãos não querem mais nada e renegam
A paz que as palavras traziam, e toda a calma
Outrora equilíbrio, agora ébrio, escorregam...

Tombam no drama poético, e ficam na sarjeta
Fincam os versos, presos na arte, de um sofrer
Não voam, não vivem sonhos, parecem morrer
Pequena pena de um beija-flor, parecendo preta

Um verde escuro, na mudança daquela linda cor
Um quadro fosco, um poema tosco, e no enrosco
Desses versos, silêncio imposto, e a dor do amor
Que já não beija a flor, perde a cor, pela dor, a dor...

Meri Viero