quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

A POESIA CHORA

E a quantidade é nada, palavras tão cheias
Os gritos silenciosos, não chegam a ti
E ainda que pulse, ferva em minhas veias
A poesia chora, sem eu querer, mas resiste

Bravamente, corajosamente, verdadeiramente
No drama e no exagero desse momento
Sente a vida brotando feito semente
Reverdecendo o tempo, ainda que lento

Vai criando raízes, brotando esperança em mim
E o amor, é feito flor e dor, pétalas de uma cor
Que pode ser rosa, vermelha, azul, cores sem fim
E o amor, agora em nós, é feito beijo de beija-flor

Delicado, leve, marcante em asas tão suaves
Um encanto, um canto transformado em poesia
Para alegrar o nosso dia, e o beijo leve, lave
A tristeza, que até agora, insiste em fazer companhia

E limpe esse instante, esse palavrear exagerado
E traga o silêncio ao homem, para que a natureza
Barulhenta, brinque nos galhos e nos telhados
E com olhos de criança, possamos ver a real beleza.

Meri Viero