quinta-feira, 27 de outubro de 2016

ACIMA DOS TEMPORAIS...

As palavras se aquietam cada vez mais
A esperança teima, reina sobre a geada
Razão mistura-se ao pensares irracionais
Goela abaixo desce essa voz embargada

O silêncio, e a solidão não causam o medo
A saudade sim, essa maltrata por dentro
Corroendo como alguém a contar segredos
Vai desestabilizando, tirando do prumo, centro

Se há um remédio que seja dada a receita
Um emplastro, um unguento, tudo se aceita
Qualquer coisa para tirar essa tão funda dor
Que no peito se instala, mas não mata o amor

Por ser amor não morre, sobrevive aos vendavais
Ergue-se, imponente, acima dos temporais
E suaviza-se em mares calmos e seus corais
Azul do céu, e o branco como de asas angelicais.

Meri Viero