quinta-feira, 4 de agosto de 2016

SOBREVIVER

E os escritos  perdem a cor, amarelam  no tempo  de agora,
Feito o descolorir de uma flor, por causa da chuva, lá fora;
O sorriso amarelo, disfarça momentos de dor, vai embora...
Instantes  de um amor, beijo  de hortelã, gosto  que  aflora.

E  tudo  se  apequena, a  vida, as  estações,
Um  ciclo insistente de  todas essas coisas;
Um  dizer  sem  querer, ou  só  inspirações,
Que aos  poucos vão virando tantas cinzas.

Não colorem mais esse coração no inverno,
Não aquecem mais a alma que foi tão feliz;
Perdida entre  o presente e  um verso terno,
Sobrevive  no bater lento, vive  por  um triz...

E os escritos são as esperanças implorando mais um renascer
Um não querer  morrer, um  querer voar, querer  amar e amar
Uma saudade  escondida no peito, canto  sem jeito faz chorar
Lágrimas esculpidas pelo  tempo, caem  outra vez sem querer.

Meri Viero