segunda-feira, 8 de agosto de 2016

SEGREDO



Não se assustem, rimas minhas, com a tempestade lá fora
Daqui à pouco o bravo vento chega, e a leva  embora
Nem se admirem com esse jeito, meio chão, e meio ar
Não fico no meio, só que dói o peito, quando vou respirar

Por isso um pouco de terra, solidez na inspiração
Depois um pouco de céu, sol, lua, pra iluminar a escuridão
Percebestes a delicadeza das pétalas? Ali tentei escrever
Não quis parecer atrevida, só poetar pra não enlouquecer

Poesia nos salva, sabia? É cura para loucura do mundo
E mesmo à noite, em sono caindo de modo profundo
A alma do poeta é livre, é leve, na eternidade de um segundo
Mas não conte para ninguém, e nosso segredo noturno.

Meri Viero