quarta-feira, 27 de abril de 2016

PAREDES DE ALVENARIA

Nessa urgência sofrida, paralisam os números,
E a surdez, ainda incomoda mais, nada de som;
Não há mais aviso, só um  silêncio tão sincero,
Que mesmo assim, chega machucando pelo tom...

Da voz, da vez, do medo, da ausência presente,
Desse pulsar tão urgente, que  o coração sente;
E fica assim, versando  para não chorar,  tente,
Desfazer esses nós que nos prendem, alimente...

A força que me falta, mas não com teu silêncio,
Imagem, face, paisagem, crase, crise, um frio...
Que perturba, arrepia as  palavras tão solitárias,
Rabiscadas em grafite, nas paredes de alvenaria.

Meri Viero