terça-feira, 12 de abril de 2016

PALAVRAS VIGIADAS

Mania de esperar algo que não vem
Resposta não dada, fera enjaulada
Dor intermitente, ah! Isso tem
Horas perdidas na madrugada

Vela apagada, escuridão também
Versos inacabados, olhos inchados
Só loucos e poucos, ficam sem
Folha em branco ou traço rabiscado

Por um anônimo, homônimo, alguém
Um poeta enferrujado, alma cansada
Escreve como para si, mais ninguém
Mas sabe que as palavras são vigiadas

Que mal isso tem? Me diz meu bem?
A vida tem graça, na linha e no traçado
E um rosto envergonhado, retém
A cor de um coração abençoado.

Meri Viero