segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

ÓCIO GRAFITADO

A janela aberta pela manhã, libertou o verbo,
Que voou, indiferente  ao céu cinza e pesado;
E pousou suave, feito o poeta e o  belo verso,
Feito o campo germinando, depois de arado.

E após um certo  tempo, o pão então ofertou,
Saciou a fome, de quem por ali havia passado;
E no presente, se fez  presente, e ali conjugou,
Todos os tempos, e voavam livres, lado a lado.

O tempo cuidando dos passos, as vozes caladas,
As mãos calejadas pelo tempo, em ócio grafitado;
E vem a inspiração e traz alívio à alma cansada,
Endividada, segue solitária, mais um ser alado.

Dívida, que é uma dúvida, ruminando apreensiva,
O pasto que também é verde, vem de papel suado;
E tenta seguir à risca, cada risco de um bordado,
Ainda que não pareça, tece, sem querer ser nociva.


Meri Viero