quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

NEM TE CONTO...

 O tempo pareceu congelar, quando o relógio marcava 19:20, candelabros iluminavam o aposento frio, o inverno parecia ter chegado com mais força, a neve logo começaria a cair, o vento sussurrava por entre as frestas, tão pequenas, mas que trazia com ele, o arrepio desavergonhado da pele.
 Naquela noite o fogo não crepitava na lareira, era como se tudo fizesse parte dos segredos noturnos, logo a coruja pousaria no telhado, talvez com algum roedor em seu bico, alimento para os filhotes, mas o tempo havia congelado, talvez ela não viesse, algum predador a tivesse devorado, como saber, eram suposições.
 De repente um estalo mais forte fez com que desviasse sua atenção, como se alguém tivesse pisado na escada de madeira, mas com certeza era o frio, agindo, e rindo do leve tremor que causara, tinha certeza que aquela noite nevaria, se arrependeu pela lareira não acesa, e estava tão cansada, que preferia ficar ali, olhando, pensando, enquanto as velas diminuíam lentamente, logo a escuridão tomaria conta, antes que isso acontecesse deveria subir até o aposento, a cama já arrumada seria o abrigo seguro diante da noite gelada.
 Sorriu, ao lembrar que apesar de tudo, a tarde havia sido agradável, houve resquícios de um sol de inverno, por entre as nuvens de tempestade, e lembrou que a esperança que havia adentrado na noite anterior, com certeza, teria escapulido pela janela, baterá as asas em outra direção, que essa noite não morresse de frio, torceria por isso...
 Enquanto folheava mais uma página do livro, ouviu repentinamente o tiquetaquear do relógio, 19:21, conferiu com o relógio que trazia, estava atrasado, agora era tarde para arrumar as horas, mas amanhã, quando acordasse, e olhasse pela janela, e o branco tivesse tomado conta da paisagem, teria tempo, por ora, fechou o livro, e resolveu subir as escadarias.
 Para trás deixava o tempo passando lentamente, e a escuridão que começava a acarinhar todos os cômodos da casa.

Meri Viero