quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

MAS QUEM SABE AMANHÃ...

Há dias que tudo que se quer é o silêncio
Mas como numa conspiração, tudo grita
Grita até o silêncio, e é um barulho terrível
Que não te deixa dormir, talvez seja o calor
A tempestade que enganou, e não caiu
Cortou as nuvens com raios
Esbravejou, e se despediu
Há dias em que o doce da boca
Não adoça o amargor da vida
E a música em seu som ausente
Marca o passo do pensamento
Silêncio, ausência, paciência
E lá, muros são construídos
Uma proteção desconfortante
Que enfeia o dia, entristece a vida
Há dias em que não ser quer métrica
Nem estética, mas um simplicidade
Maior do que se tem
Há dias em que se espera
A canseira fecha os olhos
Mas vem o medo do amanhã
E não se quer dormir
Há dias tristes...

Meri Viero