domingo, 22 de novembro de 2015

NÃO LEIA

Esses  versos meus, pois  pode neles, conter  os teus
Pedaços nossos, cacos colados, esquecidos, jogados
Restos de  estrelas, poemas enluarados, azul  do céu
Palavras sem maquiagem, aquarelando olhar meu e seu

Verbos  esquecidos, antigos  poemas, tão  seus, tão meus
Folhas amarelando, na primavera chuvosa, bordando
Flores de  pétalas  delicadas,  pincelando, reverdeceu
E a tempestade  veio, com  força do céu, cinza desceu

Chorou, choveu, misturando ao beijo do colibri, o mel
Açucarando a tarde, e  folhas das  árvores sem alarde
Inertes, se  esquecem, que  foi o dia e quase escureceu
É cinco da tarde, não leia, poema que é tão meu quanto seu.

Meri Viero