segunda-feira, 9 de novembro de 2015

MARIA, CADÊ JOÃO?




Campos de flores e um pacote de bolacha,
Não posso voltar, caminho sem migalhas;
Nem que tente, refaça, não mais se acha,
Pois o resto das abandonadas e puídas tralhas...

Tinham tantas marcas, fosse minha, fosse sua,
Seria indiferente, sem identificáveis ranhuras;
Ferrugem corroendo o ferro, só cal na parede nua, 
Mato cobrindo a grama, e a cerca sem pintura...

Tudo abandonado, só tristeza no fim daquela rua,
Justo lá, onde juramos, o nosso lindo amor cuidar;
Das lembranças tão vivas, dois seres e a doce lua,
Que desceu do céu, para os cabelos também pratear...

Campos de flores e um pacote de bolacha, poderia,
Ser Maria, beijando João, mas hoje é da tal solidão;
Que se reveste o dia, chove chuva no triste portão,
Rangendo vai lembrando de quem um dia partiria.

Meri Viero