segunda-feira, 23 de novembro de 2015

MALABARISTAS DA VIDA

Porta, e  retrato  dos antepassados
Gerações  em  sorrisos  estampados
Carvalho, calvário dos acorrentados
Estações  de trem, tempo  e passado

Olhares esperançosos e até perdidos
Pedidos desfeitos em velas amarelas
Um santo no altar,  flores nas janelas
Cúmulos nimbos, brancos encardidos

Lavados  em  tempestades  ocidentais
América de todos, sonhos, dores reais
Horizontes esquecidos, voos solitários
Peles e casacos pesados nos armários

Fragmentos de nada, na velha estrada
Pés  cansados, e  as  mãos  estendidas
Malabaristas da vida, doloridas feridas
Cicatrizes silenciosas de alma enlutada.

Meri Viero