quarta-feira, 4 de novembro de 2015

FOLHAS SECAS











E a palavra desce rasgando, o peito sangrando,
Parece esperança que aos poucos vai acabando;
O fim, e o perdão não dito retalhando os inteiros,
Meios sofríveis, seres juntando grãos no celeiro...

Restos de vida, plantadas em terras áridas, secas,
Aguadas pelo choro da alma, que vai fertilizando;
Ah! Quem dera fosse tudo loucura, amarelas cercas,
Circundando casa verde, que a cor vai desbotando...

Estendida a mão, fica no vazio esperando o nada,
Crente que a vida é mais que isso tudo, dor desata;
Desprende, desgruda, diz adeus, mas segue calada,
Com sorriso nos lábios, e o peito  virando sucata...

E por entre as folhas secas, os pés vão avançando,
Caminho solitário, de alma companheira, relicário;
Tão raro, que a poesia vai desenhando, contornando,
E a cada dia que passa, a vida vai cobrando honorários. 

Meri Viero