quarta-feira, 4 de novembro de 2015

CHUVA DE NOVEMBRO


Perdeu-se o olhar em meio a chuva de novembro
No cair da tarde, o lamento do tempo ciumento
Esbravejando adormecidos impropérios, lembro
Vozes alteradas ao vento, entre grades e cimento

Vai compondo poesia, vendo a chuva fina caindo
O tapete cinza no céu, sombras das tempestades
Lágrimas quietas, espreitando o medo, que rindo
Desponta no horizonte sonhos de ilusão e realidade

Doces tormentos, tragados pela vida, taças de vidro
E vinho tinto, brinde em pequenas fagulhas ensolaradas
Poemas escondidos, mais nada, ainda que tenha crido
Rendeu-se ao olhar e a chuva fria banhou as calçadas...

Meri Viero