quarta-feira, 2 de setembro de 2015

RECOMPENSA




Esforços talvez tenham, algum dia, recompensa,

Ou se percam, em antigos sonhos e memórias;
Voem em versos inspirados, ou mesmo calados,
Falem tanto, que alimentem a fera que pensa...

A boca guarda palavras, e o coração as expulsa,
O coração guarda sentimentos, e a boca traduz;
No silêncio impaciente de todos os versos, pulsa,
Sangue que corre quente, em veias que o conduz...

A resposta, a alma conhece bem, e como político,
Usa o direito ao silêncio, e se cala, triste espera;
Como um remédio para curar um momento crítico,
Em que a matéria padece, enquanto morre a fera...

E sobrevive a alma, livre de todos os ais e dramas,
Não se esconde mais, voa pelo céu azul da poesia;
Liberta menina, guardará lembranças na alma, ama,
Até sempre, até hoje, enquanto raiar mais um dia...

Meri Viero