quinta-feira, 10 de setembro de 2015

ALMA DE PASSARINHO




Como inspirar-se com tanto barulho acontecendo?
A poesia dentro da alma aflorando e só anoitecendo,
Entre distúrbios incomodativos, e assim vou tecendo;
Implorando sossego, e o silêncio aqui se desfazendo.

Sussurrei ao amor, que me respondeu meio gemendo,
E os poemas antigos, gentilmente, foi aqui oferecendo;
Implorei concentração, mas o grito foi só aborrecendo,
Ah! Pobre desse meu coração, parece estar morrendo.

Pulsa quietinho, e alma de passarinho vai amanhecendo,
Se pousar no teu jardim, não se assuste, vou lhe dizendo;
Por vezes podam essas asas, mesmo machucada, aprendo,
Que poemas são linhas apaixonantes que vão nascendo.

Meri Viero