segunda-feira, 29 de junho de 2015

RENASCIMENTO

Tanto gritou, que a rouquidão se instalou,
E junto dela, o silêncio, também reinou;
Num jogo imprevisível, de olhares, calou,
Enquanto as palavras, o vento assim, levou.

E veio a chuva, lavou os instantes, purificou,
Lágrimas frias e quentes, a vida ali, misturou;
A matéria se desfazendo aos poucos, envergou,
E os sonhos, outrora belos, a noite os tragou.

E a bebida sorvida em taças de vidro, amargou...
O céu da boca da noite, até que manhã despertou;
Meio sonolenta, pensando que era noite, bocejou,
Então percebeu, que o poema em versos aflorou.

E se fizeram flores, onde antes eram somente dores,
Coloriram a vida dos seres, e renasceram das cinzas;
Brilhantes, não eram mais como a lua que míngua,
Eram agora, como a lua que ilumina tantos amores.

Meri Viero