terça-feira, 30 de junho de 2015

FAZ DE CONTA...

Que há um poder de persuasão...
Que o olhar fala tanto quanto a voz,
E tudo que se quer, é uma nota e violão;
Na madrugada solta, que dança em nós.

No poema sóbrio que a multidão entoa,
Num refrão bonito, de palavras leves;
De fácil memorização, assim, ressoa,
Entre paredes da solidão, que se atreve.

Rebuscar os sonhos, acomodar a saudade,
Mistura feita sem convite, mas num repente;
Sem recusa, o coração aceita essa amizade,
Que não pede nada, apenas oferta o presente.

Faz de conta, que nada é sério o bastante,
Mas repleto de uma verdade, toda constante;
Que apela os sentidos, e afasta os temores,
Sem fazer de conta, encenam muitos atores.

Meri Viero