quinta-feira, 7 de agosto de 2014

O QUE É O SILÊNCIO?

Senão o maior de todos os gritos,
Amontoado de palavras não ditas;
Um desconcertante olhar descrito,
Na tentativa inexpressiva que reflita...

As sinceras queixas ainda guardadas,
As tantas buscas insondáveis do ser;
Propagadas em ondas pra alguém ver,
Em aparente espaço vazio disfarçadas...

A contemplação do vale entre serras,
Nessa solidão interior estereotipada;
Em vincos que na face fica tatuada,
Na procura por água pela seca terra...

Na imobilidade mortificada mas com brio,
Como se simples gotejar ferisse o invisível;
Intocável, quase arrogante e indescritível,
Indefinido inquebrável e insensível: Silêncio.

Talvez um sábio apenas incompreendido,
Por esperas amargas diante das amarras;
Que o tempo fez questão de solidificar,
Prender, ludibriar e tentar até separar...

Meri Viero