terça-feira, 26 de agosto de 2014

NUA SOLIDÃO



A vida absorve todos os sons,
Os chinelos lá fora, arrastados;
Os seres vivos num grande frisson,
Mostrando seus dotes treinados.

A matéria mesmo que queira,
Não foge da decomposição;
Pétalas e peles caem nas beiras,
Das calçadas e do sepulcral caixão.

Somos todos veias e artérias,
Membros, tronco e coração;
Vida que pulsa por entre feras,
Nua e contaminada por solidão.

Meri Viero