quinta-feira, 3 de julho de 2014

NO CAIR DA NOITE

A cidade antes tão linda agora anoitece,
Surge artificial e a luz natural entristece;
Por pura birra parece brigar com a noite,
E com os passos de um indiferente pisante...

Calçada sombreando escuridão congelada,
E o silêncio das horas adentram madrugada;
Castigando a grama queimada pela  geada,
Imobilizando as folhas agora tão amareladas...

Olhar do passante a vaguear sem assombro,
Não há medo em seu coração ainda pulsante;
Apenas os traços de uma canseira fustigante,
De um dia de labor mostrando tantos rombos...

Nessa fadiga angustiante de fatos imutáveis,
De segunda a segunda a mesma rotina cruel;
Que vai absorvendo a vida, a alma, feito o fel,
Fazendo esquecer prazeres que eram afáveis...

Hoje como uma peça de um jogo apenas caminha,
Na mesma rota todos os dias, na vida sem graça;
Outrora de risos, hoje roda vazia, sem esperança,
Fruto das escolhas nuas que perambulam sozinhas.

Meri Viero