domingo, 19 de janeiro de 2014

VELHA AMIGA

Da vida um dia já quis quase tudo...
Hoje confesso, quero quase nada,
Talvez a felicidade venha, contudo;
Quem sabe apenas passe na estrada.

Já quis a insensatez da mocidade,
O silêncio das horas de saudade;
Lágrimas pra regarem minha dor,
E no peito o sentir de um lindo amor.

Dela já quis as palavras melhores,
Hoje na aquarela deixa amargas cores;
Um dia quis a inquietude do vento,
Hoje com uma brisa  me contento.

Hoje deixo que os sonhos venham,
Acordem a seu tempo como beijos;
E para que os dias não entristeçam,
Olho-a quase por olhar, sem desejos.

Mas ainda assim, a esperança é amiga,
E como uma aprendiz ainda sigo na vida;
Pra ela que gosta de mim, um beijo querida,
Vamos vivendo assim nessa amizade antiga.

Meri Viero