terça-feira, 28 de março de 2017

Doçura Poética

E a poesia  tem a doçura do teu coração,
O perfume cítrico que vem de tuas mãos;
Cheiro de chuva, numa  tarde primaveril.
E o barulho, das águas calmas, de um rio.

Tem canto de pássaro livre  na natureza,
As cores, de tantas flores e suas belezas;
O verde, camuflando os muitos espinhos.
Pares de pegadas, pra não andar sozinho.

Verso, sentimento e  palavras espalhadas,
Tem uma espera, um sorriso e gargalhada;
Um amor inteiro, tem fé enorme, tem vida,
Lágrimas, abraços e beijos na justa medida.

Meri Viero

Náufrago

Se fosse papel, já teria enchido um cesto...
São tantos rabiscos, que  saem espremidos
Um emaranhado de pensamentos, um resto
De tantos  instantes amargurados, gemidos

Ais que não quero mais, que  teimam surgir
Não sei  se é saudade, medo, ou quem sabe
Seja impaciência, febre da tarde a consumir
Cada entranha; e quero que isso logo acabe

Se fosse papel, seria um desperdício imenso
Um amassar de letras e pensamentos vagos
E o lixo pobre coitado, não teria culpa; penso
É a inspiração trazendo sentimento náufrago. 

Meri Viero

domingo, 26 de março de 2017

Nossa Teórica Salvação

 “Porque em esperança fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como esperará? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência esperamos.” Rom 8;24 e 25

 O fato de que nossa salvação, agora, é só em esperança, não significa que não seja real, tampouco, por ser invisível, se faz fictícia. Certo é que, as coisas não visíveis recebem testemunho de outras, palpáveis. “...suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto, seu eterno poder, quanto, sua divindade, se entendem, e claramente se veem pelas coisas que estão criadas...” Rom 1;20

 Desse modo, nossa fé invisível, e nossa esperança, igualmente abstrata, devem ser palpáveis no teatro das ações. “Assim resplandeça vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.” Mat 5;16

 Tanto podemos testificar da fé, mediante modo vida, pelas coisas que fazemos, quanto, pelas que não fazemos. Todavia, em nosso contexto de liberdade plena, facilidades até, não somos testados no aspecto mais valioso. Se, estamos em terreno movediço, cercados de toda sorte de enganos, heresias, e, estamos, isso coloca à prova, no máximo, nosso discernimento, escolhas, nunca, a abnegação por Cristo, nossa coragem de sofrer por Ele.

 Tudo o que devemos resistir, ora, deriva de ensinos errôneos, ora, dos apelos aos prazeres malsãos. Entretanto, noutro tempo, e, no presente, mas, noutro contexto cultural, pessoas valorosas abriram, e abrem mão de suas vidas por Cristo; ontem, ante outros perseguidores, hoje, nas mãos dos algozes do Estado Islâmico, sobretudo.

 Os cristãos hebreus tinham começado bem, aberto mão de coisas pelo Senhor, mas, estavam desistindo, esmorecendo. Aí, se lhes disse: “Lembrai-vos, porém, dos dias passados, em que, depois de serdes iluminados, suportastes grande combate de aflições... com alegria permitistes o roubo dos vossos bens... Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa.” Heb 10;32, 34 e 36

 Adiante, se lhes evocou o testemunho dos “Heróis da Fé”, cujas vidas deram, pelo que criam, para os despertar a uma realidade mais alta que mera submissão terrena dos salvos. “Ainda não resististes até ao sangue, combatendo contra o pecado.” Cap 12;4

 Essa é nossa situação; dos cristãos que gozam liberdade de culto; as maiores “tribulações” que conhecemos são críticas, zombarias, escárnios de certas minorias que nos desprezam. Como seria, se, enfim, nosso sangue fosse requerido na arena da salvação? Será que essas fermentadas pesquisas que apontam vertiginoso crescimento de “evangélicos” seguiriam sinalizando tal upgrade?

 Uma coisa é um soldado treinar durante duas décadas, com munição de artifício em combates imaginários. Outra, se ver, de repente, numa trincheira alvejada por inimigos, ao redor da qual, colegas caem feridos e morrem. Necessariamente atingirá outro nível de percepção das coisas, valores, em meio a uma realidade para a qual se presumia preparado, mas, a verá mais dolorosa do que supunha.

 Se, de uma hora para outra, O Eterno permitir que sejamos perseguidos para a morte, então, veremos o que é maciço, e o que é oco. Em horas extremas, pouco importa se alguém é arminiano, ou, calvinista; se, pentecostal, ou, tradicional; se guarda sábado, ou não; se preza usos e costumes, ou, é liberal... Em momentos vitais, todas essas frescuras periféricas deixarão de opinar, restará apenas a luta pelo que interessa deveras, a vida. Nos momentos de extrema prova, caracteres vêm a lume, e, cada um mostrará, enfim, do que é feita sua alma. A tribulação vai separar touros e terneiros, mostrar quem tem butiás no bolso, como se diz, cá no sul.

 Infelizmente, as facilidades geram dificuldades. Digo, nos tornam pueris, superficiais, incapazes de mensurar bem, o valor das coisas. Quando Moisés pleiteou a libertação de seu povo o Faraó lhes disse: “Estais ociosos, por isso devaneiam com liberdade”. Era uma grande injustiça com gente que trabalhava em regime de escravidão.

 Contudo, ouvindo as orações de certos ministros festivos, que “Não aceitam” isso, ou aquilo, e resolvem “determinando” aquilo outro, temo que uma hora O Santo lhes diga, como o Faraó: Estais ociosos, as facilidades que lhes dei os tem feito presunçosos, profanos. Enviarei o vento das perseguições, para separar o joio do trigo.

 Infelizmente, muitos grupos de “cristãos” portam-se como certos “movimentos sociais” boicotando, reivindicando, atazanando a paz alheia, como se, essas coisas, que são eficazes em domínios humanos, fossem também, no Reino de Deus.

 O fato é que a perseguição virá em caráter global, no reino do Anticristo. Os que sentem-se valentões entre artifícios de festim, terão, enfim, palco para demonstrarem sua bravura.

 O presunçoso mede-se pela sombra ao sol da manhã; Deus enche de coragem, apenas, os que se esvaziam de si.

Leonel Elizeu Valer dos Santos
Blog: O Farol
http://ofarol21.blogspot.com.br/

quinta-feira, 9 de março de 2017

SE VISSE SABERIA...

...Sobre o vazio das palavras minhas
Não pelo monólogo que se apresenta
Apenas pela vírgula que anda sozinha
Pelos pontos e reticências se ausenta

Essa vontade de aquietar, silenciar
Então a memória falha, e esqueço
De esquecer de lembrar de não piar
E escrevo feito tear, e então, teço

Pra me fazer presente na ausência tua
Nessa loucura em dividir, até somar
Momentos de sol, de tarde e de lua
Por essa loucura boa que é te amar.

Meri Viero

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

RITMO DA CHUVA

Tem barulho lá fora, caindo do telhado ao chão
Tem saudade aqui dentro, machucando coração
Mas que  ficou todo acarinhado, pela inspiração
Aquarelada do outro lado nessa mesma estação

Aqui, versos já esperam pelo outono; adormecer
De folhas; não das linhas, presentes ao escrever
Pro amor guardado no peito, doçura pra saborear
Cada novo grafite que a alma faz, ao aformosear

Esse sentir tão bonito, escrito com o verbo amar
Tu me amas, nós nos amamos, e  nesse versejar
Tempo passando, a chuva aumentando tamborilar
E a matéria presa, querendo mais uma vez, voar.

Meri Viero

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

VOAR

Que saiba o amor cantar, mesmo entre dores
Não perca essa  fé tamanha, que  me faz voar
Pelos canteiros  mais belos, de diversas cores
Pois me fazem lembrar, que é preciso se doar

Mesmo com  mundo ruindo, ruim de caminhar
E as pedras, parecem voltar,  ao mesmo lugar
Cantiga antiga no presente que faz incomodar
Essa rima previsível na visível forma de poetar

Fico mais lá, do que cá, mais cá do que lá, há?
Um modo, jeito, de esquecer, parar de gostar?
Vou voar, versar pra dissipar as imagens de ti
Vou amar, sobreviver, sorrir, ainda não desisti...

Meri Viero

...Partiu

O choro que caiu, fez que não ouviu...
Não viu dor dilacerando aquele peito,
Parece que por entre sombras sorriu;
Mal arranjo, de um amor, imperfeito.

E o instante foi uma dor, de um ser só,
Que esperou sorrisos, recebeu lágrimas;
Rimas, que foram  se  tornando, em pó,
Sabão que lavou feridas, assim, sem dó.

O pranto foi triste som que a noite colheu,
Acolheu cada cristal, que dos olhos, caiu...
Ruim ruir razões, risos, resenhas, recolheu;
Breu que escureceu dia, passou a ponte, e...

Meri Viero