quinta-feira, 25 de maio de 2017

Saudade

Saudade são reticências minhas...
É o atrito  dessas mãos  sozinhas
O pisar, lado a lado, na ruazinha
É o amor, que juro, um dia, tinha

Olhar buscando um corpo celeste
Misterioso orvalho que flor reveste
A Lua prateada e nua brilhando
No céu de maio, e frio chegando

Saudade é dor de doer quietinha
Dessas que dói, mas dói sozinha
Faz um corte assim tão profundo
E a cicatriz é invisível ao mundo...

Meri Viero

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Falsa Calmaria

E para não assustar, o coração desacelerou
As mãos sossegaram, o papel não foi escrito
O tempo, tão lento, tão rápido, veio e passou
Mas não sei se levou tudo aquilo que foi dito...

Para não assustar, adormeceu o olhar detalhista
Consumiu cada doce, que de amargor, fez a boca
E salivou os poemas não escritos naquela lista
Números inteiros de sentimentos que alma louca...

Secretamente para não assustar, guardou...
Dobrou papéis, amassou a espera angustiante
Organizou os sonhos, e a noite esperou
Numa calmaria falsa e embriagante.

Meri Viero


Verdadeiro Amor

É só o relógio e um silêncio sepulcral
Não amedronta, e não causa reflexão
Não aos meus sentidos, não é banal
Difere de tudo, olhar em concentração

Entre o escuro e o claro, o sonho raro
Caro, tão claro, o que veio, o que ficou?
Afinal voltaremos ao pó, somos barro
Criaturas imperfeitas, Deus que criou

Ser Perfeito, criação perfeita, era assim
Mas o anjo, de asas caídas, por maldade
Não deixou a criatura perfeita até o fim
Por amor ao homem, e por Sua vontade

Mandou Jesus, para, por essa Terra andar
Pregou o amor aos quatro cantos, bondade
Paz,  por onde quer que viesse a passar
Era rico e ainda assim, teve humildade

É o Filho, e morreu por mim, e por aqueles
Que o escolherem como Salvador, Cristo
Batizado por João, o qual veio antes Dele
Há uma morada no céu, e com Ele, persisto

Mesmo diante das tristezas desse mundo
Do pranto, da fome do irmão, do desamor
Eis o amor de Jesus, verdadeiro e profundo
Que alimenta toda alma, e alivia toda dor.

Meri Viero

terça-feira, 23 de maio de 2017

Serenizar

Ah! Esse beber apressado embriaga o ser
E a alma tonta, entoa o cântico do sofrer
Se fechado tivesse, esse olhar ansioso...
Por certo veria um dia mais glorioso

Mas rompem-se palavras doidivanas 
E é tanta dor que desse coração emana
Que cega, e escuridão é breu intransponível
No qual claridade ofusca de forma incrível

Mas a embriagues não deixa ver o brilho
Ébria, cambaleia, e quase sai dos trilhos
Até que volta a razão, acalma o coração
Olhar serena, respira e transpira inspiração.

Meri Viero

quinta-feira, 18 de maio de 2017

E o verso...

E o verso teu, se escondeu do meu
Numa tarde de chuva, e a saudade
Virou palavras, e o coração escreveu
Omitiu teu nome, escancarou felicidade

Lembrou de ti, em cada hora assim...
Barulho de temporal, chuva na vidraça
E o sorriso vai brotando em mim
E a poesia vem e me abraça

Enlaça nossas almas em aquarelas
E a areia na ampulheta, caindo devagar...
O tempo nas mãos, no lento caminhar
Olhar no céu, anjos; no chão, flores belas.

Meri Viero

Em dia de chuva...

Chia a chaleira, tem cheiro de café
Tem pipoca na mesa, doçura com mel
Tem a Palavra, o riso, amizade e fé
O amor fraternal, ternura, terra e céu

É a esperança vindo, feito chuva boa
Caindo nessa tarde de outono, tarde fria
Tem os barulhos externos, saudade ecoa
Reflete o pensamento, compõe a poesia

Um imã, uma irmã, um filho, um amor
O tempo trazendo lembranças, para perto
Aquecendo o coração, debaixo do cobertor
É vida acalmando, fazendo ajustes, acertos...

Meri Viero


quarta-feira, 10 de maio de 2017

Quem Sabe...

Vai que esse jeito mudo ainda convence alguém
Ou quem sabe, mudo, pro meu próprio bem
Vai que a hora é essa, e é preciso acontecer
Ou acontece, da hora ter passado, sem eu ver

Não sei, a planta no vaso quer água, a águia quer céu
Essa sede que me mata, tem gosto de nada ou de fel
Não sei, o verde quase morreu, a folha amarelou
Feito a poesia que de tanta dor, até chorou

Chorei, já não quero mais chorar, meu pranto é caro
Claro, contabilizei cada cristal líquido, sabor amaro
Vai que tudo isso passa, e a vida caminha por lá também
Não sei, talvez os passos meus, são só meus, de mais ninguém.

Meri Viero