quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Aos poucos...

Usa cola, conserta os pedacinhos
Estilhaços sem nenhum carinho
Caíram no tapete da sala de estar
Na quarta-feira querendo trovejar...

Uma saudade inteira, cidade e luar
Caindo tão faceira, fazendo navegar
Por linhas que a mão quis ocultar
E grafitou beleza em verbo amar...

Numa brincadeira para não chorar
E o verso reter tristeza e não magoar
Aos poucos, cola todos os caquinhos
E deixa cicatrizar a dor de ser sozinho.

Meri Viero

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Des(acelerar)

Repousa o corpo, dorme, sonha com o céu
Azul infinito, aquarela tão linda, e real
Majestosa imagem, margeando carrossel
Circunferência magnífica, ponto cardeal...

Para não errar o caminho, e quando sozinho
Trilhar por flores, e não se machucar, espinhos
Já não ferem os pés, não há medo de se perder
Interrompendo pensar, que sonha até amanhecer...

Imagem azul, céu, doce de brigadeiro e beijinho
Lambuzando a boca, que sorri, diante do espelho
É quente, verão tropical, em vestido vermelho
Repousa a matéria, sonha voar feito passarinho...

Meri Viero




Companhia

E palavras ficam para outro dia...
No monólogo virando uma poesia
Noite e dia, solidão é a companhia
Verso que com espera não rimaria

Mas, rima na cama, no sofá e na pia
Fica essa urgência, por hora, tão fria
Fia, tece o verbo, amar, é a maresia...
Varrendo a  praia  tão linda  e vazia

Via; a menina do outro lado da rua; ria
Como a olhar o nada, queria ficar; e ia
Como a pedir desculpas; monotonia...
Que feito a água das mãos, escapulia.

Meri Viero


domingo, 29 de outubro de 2017

Momento Especial

Caos, e ainda assim a vida trazendo motivos,
Para sorrir, para  ter esperança, para dividir;
É a  vida trazendo  doçura, e  também alívio,
Deixando paz, no lugar do que vem destruir...

Mas, depois do caos, o respirar mais tranquilo,
O azul tomando  conta do céu cinza e nublado;
E o sono hoje, vindo com  alegria, e com estilo,
Pois, pesadelo é suor no travesseiro disfarçado.

Um caos que vida vai transformando, calmaria,
Ofertada em um naco, mas, satisfazendo tanto;
E a chuva vem compor a noite em bela sinfonia,
E a lágrima é só palavra virando poesia, encanto.

Não traz dor, não molha face, não causa mágoas,
É só uma união de letras, proparoxítona sensorial;
Estratégia da poesia, que no coração não deságua,
E por essa noite, há magia  em momento especial.

Meri Viero

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Fato

A boca cala o verbo mais bonito
E o silêncio é fraco, é alto o grito
No abandono das mãos queridas
Que tecem amor e curam feridas

Noite caiu desde a manhã de quinta
Agora amanhece o olhar em poesia
Para que a dor expulse, e não sinta
O que a vida oferta como companhia

Indiferença; e cores pintando o quadro
Paredes nuas d'alma refletida no quarto
E o gosto da solidão descendo quadrado
A vida marcando compasso em ritmo farto.

Meri Viero

Céu

A tempestade chega e o desassossego
Por ironia vem, fazendo estardalhaço
Parece estraçalhar as nuvens; pedaços
Incandescentes; e no meu aconchego...

Uma mistura de sons, notas de lá e cá
É saudade açoitando telhado, a janela
Maltratando a flor que pende, amarela
E deixando monocromática essa tela...

E o repetir é loucura do vento, riso vil
Que sem dó, nem piedade, em assoviu
Arranca o cedro, e até a ponte se partiu
Temporal cai, é frio, e o ser segue febril...

Meri Viero


Lágrimas

Proibiram lágrimas, mas, caíram
Amornaram a água fria da chuva
Que apagou os rastros das saúvas
E molhou a blusa, a pele, e a luva

Que escondia a letra do teu nome
Também um coração pela metade
Vermelho latejante, a dor não some
Espinho cravado fundo, maldade...

Pétala arrancada e bem-me-quer
Chora a falta do toque aveludado
Da mão que se faz fria, sem reter
O calor do rosto triste, molhado...

Meri Viero