quinta-feira, 15 de março de 2018

Rosas Brancas


Não tranca esse coração, faz uma oração
É branca, feito rosa esplendorosa e botão
Perfuma a vida, a casa, e também o jardim
Silencia, ou deixe a pena voar em nanquim...

Meri Viero

quinta-feira, 1 de março de 2018

De cor

Feito o azul do céu, tão bonito
Naquelas tardes de frio em junho
Bebida quente, cachecol, e dito
Escrevendo tudo de próprio punho

A letra caminha em linhas retas
No disforme de um verso novo
Tingindo o papel com a caneta
Um pingo parecendo um corvo

Voando em liberdade provisória
Depois, pareceu um ovo, um ninho
Árvore silenciosa não conta história
São apenas galhos pendentes, sozinhos

Os pássaros fugiram, só há memória
Do canto no entardecer vermelho
É março, mês chuvoso, um conselho...
Escreve o livro, coloca dedicatória

E deixe que voe, além da estante
É frase curtinha, verso tão elegante
Poeta e a poesia unidos nesse instante
E mesmo sabendo de cor, nada é como antes.

Meri Viero




Era uma vez um domingo...

Em que lágrimas regaram o colo
Palavras dardejaram o peito
Feridas se abriram de todo jeito
Gotejavam tristeza no solo

Era uma vez um domingo frio
De vozes alteradas, cortantes
E o coração batendo por um fio
Na insistência de ser como antes

Mas, a vida distanciou os seres
Rotulou o tempo, entristeceu olhares
E deixa a esperança, e se creres...
Ainda verá o verde em tantos lugares

E cravejará feito esmeralda o dia
Bordará com riqueza de detalhes
Cada canto da casa, verso em poesia
Para te encantar quando olhares.

Meri Viero


Ver-te...

Fincado ao chão, feito estaca
Amparando o tempo
Sem retirar dele uma lasca
Nem aplacar o suor ao vento

Construindo paredes e muros
Tentando se sentir seguro
Enquanto a vida desmaia
Jazendo fria sobre a malha

Ver-te na ausência marcante
Indiferente ao ser cambaleante
Repousa sobre sereno, noite solitária
A qual beija a alma temerária...

Seja pela escuridão que se apresenta
Seja pelo silêncio angustiante
A falta de passos, do ser que se ausenta
Sem oásis, somente o deserto enfrenta.

Meri Viero

Sombras

A noite está inquieta
Tomou insônia em grandes goles
Matou a sede e os olhos acordaram
Os animais não dormem
Os seres humanos não descansam
A vida faz barulho no lado de fora
Rola uma pedrinha no asfalto
Chuta uma latinha de refrigerante
E os cachorros latem como se fosse dia
Mas, já é madrugada
Os ponteiros giram
O tempo passa
E as estrelas no céu nos olham
Luzeiros guardiões dos homens
Não vi a lua
Creio que a nuvem a escondeu
Nem vi o satélite rasgando o véu
Não vi rastros
Nem voos de aves noturnas
Pousaram em outros postes cinzas
E observam seguras
Enquanto a noite adentra irritada
Pelo sono que se escondeu
E deixa as sombras largadas
Pelas vielas
Pelos becos
Pelas poesias.

Meri Viero


quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Febre

Tem chegado à noitinha
Marcando hora
Tão certa quanto relógio
Gelando as mãos
Doendo os olhos
Latejando a têmpora
Instigando o coração...
Será um delírio?
Um colírio refrescando a íris?
Um leve brilho na menina
Se olhares bem, vai ver
Quase imperceptível
Um brilho Poético
Mesmo sem ser Novembro
Vai moldando o pensamento
Acalmando a alma
Adormecendo a tristeza
Aflorando os sonhos
Acordando verde
Como toda manhã deveria ser
Feito o grilo que veio morar em casa
Como sei?
 As janelas estavam abertas
E não voou
Faz uns dias que não o vejo
Será que morreu de fome?
Mas, há tanto verde
Pelos quatro cantos
Será que morreu de tédio,
Pela falta do canto;
Pela falta do pranto?
Ou era tanto sono
Que dormiu?
Dormi
Enquanto a poesia...
Criava asas.

Meri Viero